Vida Pessoal e Política:
Aos 29 anos, Maquiavel ingressou na chancelaria, em torno de 1498. A principal instituição de Florença nesta época era a Senhoria, com diversos órgãos auxiliares como duas chancelarias. Dentre as funções exercidas por Nicolau Maquiavel estavam tarefas burocráticas e de assessoria política, de diplomacia e de comando no Conselho dos Dez, um outro órgão auxiliar da Senhoria.
...
Em julho de 1499, após haver completado uma missão diplomática com sucesso, Maquiavel foi enviado para negociar com Catarina Sforza, duquesa de Ímola e Forlì, a renovação da "condotta" de seu filho Otaviano e para tentar conseguir o auxílio dela com soldados e artilharia para a tomada de Pisa, cidade que havia aproveitado a passagem de Carlos VIII para rebelar-se contra o controle do governo da República de Florença.
A partir desta missão, ele escreveu o Discorso fatto al Magistrato dei Dieci sopra le cose di Pisa, em 1499, seu primeiro escrito político.
...
Em 1501, em Florença, Maquiavel casou-se com Marietta Corsini, com quem teria quatro filhos e duas filhas - Bernardo, Ludovico, Piero, Guido, Bartolomea e outra menina morta na primeira infância.
...
Em 1505, houve o surgimento de um novo problema na Itália - a expansão da República de Veneza pela Romanha, o que surpreendeu ao Papa, aos florentinos e ao imperador Maximiliano. Nicolau Maquiavel, agora com poderes de embaixador, solicitou a Piero Soderini, gonfaloneiro vitalício, a permissão para criar um exército formado por cidadãos de Florença após sentir os perigos externos se avolumarem e conhecendo a ineficiência das tropas mercenárias. Após receber a autorização, ele iniciou de imediato seus trabalhos e, apenas cinco meses depois, em 15 de fevereiro de 1506, as tropas desfilaram na Piazza della Signoria. Pouco antes, Maquiavel havia concluído o Decennale primo, um poema de 550 versos em "terça rima" que narravam os últimos dez anos e ao qual se seguiria o Decennale secondo, em 1509.
...
Por esta época, o Papa Júlio II decidiu retomar os domínios da Igreja conquistados por Veneza e pelos homens do falecido condottiero César Bórgia, Baglioni e Bentivoglio. O Papa pediu a ajuda de Florença mediante o envio de tropas para ir contra eles. Sem a intenção de desguarnecer Pisa ou desgostar o Papa, enviou-se Maquiavel para ganhar tempo. Ele acompanhou o Papa até Perugia, onde presenciou à rendição de Baglioni, sem compreender como ele havia deixado passar a oportunidade de prender o Papa, que, em sua visão, era um príncipe invadindo seus domínios como outro qualquer.
Em 1508, Maquiavel passou a organizar operações contra a República de Pisa, vencida em 4 de junho de 1509, após 15 anos de guerra. Dessa experiência, Maquiavel escreveria o Ritratti delle cose dell'Alemagna.
Principais Obras:
Em 1512, Nicolau Maquiavel foi demitido de suas funções, acusado de ser um dos responsáveis por uma política anti-Médici - os quais haviam sido trazidos novamente ao poder - e por ser um colaborador do antigo governo. No ano seguinte, há o "vazamento" de uma lista que, supostamente, continha os nome de possíveis adeptos do movimento republicano, dentre os quais constava o de Maquiavel. Por causa disso, ele foi preso e torturado. Para sua sorte, com a morte do Papa Júlio II em 1513 e com a eleição de João de Médici, que era florentino, todos os suspeitos foram anistiados e com eles, Maquiavel, após um período de 22 dias de prisão.
..
Ainda em 1513, Maquiavel mergulhou em um período de ostracismo que duraria até sua morte, no qual ele escreveria suas obras mais conhecidas, como "O Príncipe". Entre os escritos deste período estão o poema Asino d'oro (1517), a peça A Mandrágora (1518), considerada uma obra prima da comédia italiana, além de vários tratados histórico-políticos, poemas e sua correspondência particular.
...
Em 1520, Júlio de Médici, que depois tornou-se Papa com o nome de Clemente VII, assumiu o poder em Florença. Ele contratou Maquiavel como historiador da República para escrever uma "História de Florença", obra que tomaria os últimos sete anos da vida de Maquiavel. Neste mesmo ano, ele estava escrevendo "A Arte da Guerra" - considerado um dos livros menos lidos dele, o único de seus trabalhos sobre política publicado em seu tempo de vida - que, em síntese, dá conselhos sobre como obter e manter força militar e defende que o preparo militar dos cidadãos é necessário para que eles e seu Estado mantenham a liberdade.
O Príncipe:
É a obra mais conhecida de Nicolau Maquiavel, completamente escrita em 1513 e publicada postumamente. Teve origem com a união de Juliano de Médici e do Papa Leão X, com o qual Maquiavel viu a possibilidade de um príncipe finalmente unificar a Itália e defendê-la dos estrangeiros, apesar de a obra ser dedicada a Lourenço II de Médici como forma de estimulá-lo a realizar a empreitada.
A obra é dividida em 26 capítulos. No início, Maquiavel apresenta os diversos tipos de principados existentes e as características de cada um. Depois, defende a necessidade do príncipe de basear suas forças em exércitos próprios ao invés de mercenários, e conclui a obra exortando que um novo príncipe conquiste e liberte a Itália.
[Apesar de dedicar a obra a Lourenço II de Médici, Maquiavel tinha a figura de César Bórgia marcada como a do perfeito representante de seu príncipe].
Interpretações:
A obra de Nicolau Maquiavel relaciona-se diretamente com o tempo no qual foi escrita. O método utilizado por ele rompe com a tradição medieval ao fundamentar-se no empirismo e na análise dos fatos recorrendo à experiência histórica da Roma Antiga, ganha por ele em seus estudos. Além disso, ele foi o primeiro a propor uma ética para a política diferente da ética religiosa, ou seja, a finalidade da política seria a manutenção do Estado.
Maquiavel não foi um pensador sistemático. Ele utilizava o empirismo em sua escrita através de métodos indutivos e pensava em seus escritos como conselhos práticos, sendo, além disso, antiutópico e realista. Em Maquiavel, a teoria não estaria separada da prática. Seus conceitos rompem com a tradição medieval teológica e com a prática, comum no Renascimento, de propor Estados imaginários perfeitos, os quais os príncipes deveriam ter sempre em mente.
...
Nos Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio (1513-1521), Maquiavel defende a forma de governo republicana com uma "constituição mista", de acordo com o modelo da República da Roma Antiga. Defende, também, a necessidade de uma cultura política sem corrupção, pautada por princípios morais e éticos.
"Maquiavélico":
Esse termo passou a ser utilizado para definir aquelas pessoas que praticam atos desleais (até violentos) a fim de obter vantagens, manipulando os outros, em função das ideias defendidas por Maquiavel em seu livro "O Príncipe". Contudo, o termo é injustamente atribuído a Maquiavel, pois a ética na política sempre foi defendida por ele.
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Maquiavel
http://www.suapesquisa.com/biografias/maquiavel.htm
- Laila.

Nenhum comentário:
Postar um comentário